O que separa uma startup comum de uma unicórnio, de acordo com a Y Combinator

Em Trabalho por Nex CoworkingFaça um Comentário

No final de junho, marcamos presença no Female Founders Conference, da Y Combinator, que acontece anualmente em São Francisco, na Califórnia. Durante o evento, tivemos a oportunidade de conhecer a história de CEOs que comandam grandes empresas dos Estados Unidos.

Na abertura do evento, Jessica Livingston — uma das responsáveis pela Y Combinator — fez um discurso muito bacana sobre a diferença entra uma boa startup e uma startup sensacional, que pode valer bilhões no futuro (as chamadas unicórnios).

Com anos de prática acompanhando startups exponenciais (ela foi uma das responsáveis por selecionar o Airbnb para o processo de aceleração da Y Combinator), Jessica conseguiu encontrar alguns padrões que todas as unicórnios apresentam.

Quais são as características das startups unicórnios?

1- Elas têm sorte

Não importa o que falem por aí. A sorte faz parte do processo de se criar uma startup de sucesso. Para Jessica Livingston, o quesito sorte aqui é o timing de se ter uma ideia certa no momento certo. Se você tiver uma ideia extremamente disruptiva, mas a sociedade não estiver preparada para ela, o seu projeto pode ser invalidado. Se você tiver uma ideia sensacional, mas alguém tiver um insight parecido ao mesmo tempo, a sua startup pode ficar em segundo lugar e nunca crescer. Timing é tudo!

2- Elas são fundadas pelos motivos certos

Sim, ter uma startup é cool. Porém, começar uma empresa apenas porque isso é legal, ou então pelo dinheiro não é motivo suficiente. Os fundadores das startups de MUITO sucesso são fanaticamente interessados pelo trabalho que desenvolvem. Segundo Jessica, é ok começar uma startup pelo dinheiro que ela pode oferecer. Porém, se a motivação principal não se transformar no meio do caminho, é certo que ela não será uma unicórnio.

De acordo com ela, existem vários motivos que fazem com que uma startup cresça quando seus fundadores são apaixonados: eles trabalham mais (porque amam trabalhar!!) e o seu entusiasmo contagia o time. Eles pensam a longo prazo e em geral não cedem facilmente à oferta de aquisição por algum competidor do mercado, afinal eles não querem desistir!

3- Unicórnios focam numa necessidade grande

Esse tópico é óbvio, mas para ser uma startup unicórnio você precisa fazer algo que muitas pessoas vão pagar para ter. Aqui entra um pouco de sorte também, pois no início de uma startup é difícil prever exatamente o tamanho de um mercado.

Durante o evento da Y Combinator, Jessica citou o exemplo do Airbnb. Segundo ela, eles não tinham ideia de quantas pessoas estavam dispostas a se hospedar na casa de estranhos, mas eles tinham certeza de que era gente suficiente para que valesse a pena tirar essa ideia do papel.

Um conselho da Y Combinator é nem tentar atingir um grande mercado logo de cara, mas sim focar num público específico e “torcer” para que mais pessoas se interessem pelo projeto.

4- Startups de sucesso solucionam problemas básicos

As olhar para as grandes empresas unicórnios você vai ver a solução para coisas muito básicas. Google é para encontrar informação. Facebook é onde os seus amigos estão. Uber te dá caronas. Airbnb te dá um lugar para dormir. Essas são coisas que você poderia explicar em poucas palavras para uma criança de quatro anos de idade!

5- Elas estão dispostas a trabalhar numa ideia duvidosa

Fazer uma plataforma para estudantes de Harvard não parece uma mega ideia, né?! Hoje em dia pode parecer, pois sabemos o final da história. Quase todas as startups parecem duvidosas no começo e não dão tanta certeza de que realmente podem crescer.

Para a maior parte das pessoas, elas parecem uma ideia ruim, inclusive! Você precisa estar disposto a ser uma dessas pessoas que trabalha numa ideia ruim que eventualmente pode se tornar boa. Você precisa ser uma mente independente e não se importar com o que as outras pessoas pensam. Parte da persona dos fundadores de hoje em dia é ser um dissidente e nenhum deles pode ser descrito como conformista!

6- Empresas unicórnios são ambiciosas e não têm medo de uma grande ideia

Você não pode sentir-se acuado ao perceber que essa ideia pode se tornar uma coisa muito, muito maior. Nesse ponto, a maior parte das pessoas fica com medo. Atingir o mundo inteiro? Isso soa como um trabalhão!

O medo e a preguiça fazem com que muitas pessoas nem percebam que podem transformar um site para estudantes em um site para todo o mundo. Mas algumas pessoas ficam mais animadas do que com medo ao se deparar com essa oportunidade e, bem… são elas que se tornam unicórnios!

7- Contam com ótimos líderes

Uma outra característica das grandes startups é que elas contam com ótimos líderes. A maior parte das pessoas acha a função de liderança desconfortável. Isso não combina com o perfil de alguém que realmente quer criar uma empresa unicórnio.

8- A startup é o objetivo de vida

Além de contar com ótimos líderes, as startups gigantes são a VIDA de pelo menos um dos fundadores. Por conta disso, elas não são vendidas logo de cara, com uma primeira oferta. A lógica aqui é: se essa startup é a minha vida, o que eu vou fazer se ela for vendida?! Esse mindset faz com que, tanto o fundador quanto o time, trabalhem em conjunto para criar uma coisa muito grande.

9- Contam com um fundador disposto a se tornar “administrador”

No começo da startup, tudo está focado no produto, porém isso muda a partir do momento que a empresa cresce. O fundador que quer continuar comandando a empresa precisa se tornar um administrador/ gerente.

Inicialmente, as habilidades criativas são as que valem. Porém, com o passar do tempo os criadores de uma startup unicórnio percebem que desenhar um produto legal e gerenciar pessoas são trabalhos completamente diferentes. A maior parte das pessoas que gosta de criar, não gosta da ideia de gerenciar. São raras as que conseguem ser boas nas duas áreas. Mas você precisa ser, se quiser construir uma grande startup.

Curtiu as dicas compartilhadas pela Jessica Livingston? Acompanhe as novidades da Y Combinator clicando aqui.

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